Sempre fui magrinha magrinha, dessas que dá medo de quebrar e do vento levar.
Quando era criança, a empregada da minha amiga dizia que nós tinhamos lumbriga e por anos, cogitava sim a idéia de que talvez tivesse um ser dentro de mim, mas né, se não havia me feito mal até então, é porque bonzinho, no mínimo era.
Aí cresci e continuei magrinha, adicionado com a correria MÓR dos dias atuais, devo ter emagrecido um pouco mais, mas né, O QUE POSSO FAZER? Tem gente que engorda, que perde o cabelo, que muda de sexo… Eu, ao invés das outras opções, emagreci. E né, me vejo no espelho e continuo me vendo como me via antes.
Minhas costelas continuam embaixo da carne, minhas coxas continuas se diferenciando da minha panturrilha e, ok, talvez algumas calças tenham ficado largas… mas nada que umas boas férias que me acalmem ou um bom cinto não resolva a situação.
Já disseram que eu tinha aversão a comida. Eu? Aversão a comida? oi?
E então começaram as pressões pra que comesse mais. E Voalá:
se comida você quer me dar, abro a minha mochila e a tarde irei aproveitar!
Perceberam então que o problema não era a minha possível aversão a aquilo que eu acho uma gostousura.
Aí passou a crise – por hora – , e, como antes, estou de bem comigo mesma e com o espelho, Cara Amiga Marie Claire.
Mas as pessoas, ou algumas delas, fazem questão de apontar que UUUUOOOOOHHHHHH, MEOOOODEOOOOS, COMO VOCÊ EMAGRECEU!
E dizem isso como se fosse uma critica construtiva, como se não me afetasse, como se fosse um elogio (porque magreza é referencia no mundo da moda, tal como a anorexia).
Não entendem?
Exemplificar irei:
Você é gordo. E vira e mexe, alguém diz (e essas pessoas NUNCA se importam em que local você está, com quem, fazendo o que):
NOSSA, COMO VOCÊ ENGORDOU! PARECE UM GORDO MORFÉTICO!
Entende? Isso, além de não ajudar, só atrapalha!
Só que você nunca escuta alguém dizendo coisas assim para pessoas que não tem intimidades com o interlocturor. Porque realmente é chato, inconveniente.
Mas tratam magreza é necessariamente um desvio comportamental saca? E quando vem a cagada, dizem “ah, passe um pouco disso pra mim”.
Cala a boca sabe, cuide das suas disfunções que eu convivo – e muito bem – com as minhas.
Aí bateu a crise que talvez eu tivesse acostumado com a minha visão no espelho, mas que na verdade eu estava BIZARRA, magriça no osso, feia, horrível…
E chorei. chorei. chorei.
Chorei como há tempos – ou não – eu não fazia.
Porque o que eu vou poder fazer? comer MAIS? engordar no tranco como fazem com os patos nas linhas de produção, que enfiam um cano na goela e tacam comida? ou sair do trabalho ou da faculdade, para acalmar um pouco meu dia e voltar ao meu metabolismo normal?
pois é, nenhuma das idéias é cogitavel e nem desejavel entende.
Sou magra sim,
porque minha vida é a correria master, das sete e meia até a meia noite ligada no 220.
Não estou reclamando, a vida é assim e né… A VIDA É ASSIM!
Mas daí vir me dizer que pareço anoréxica é muito saca.
Porque eu poderia ter respondido
” e a sua gagueira, não vai tratar? eu acho que está pior viu”
ou
“nossa, mas suas banhas ao lado da sua cintura aumentaram hein, olhe olhe, suas calças só fecham porque você deve forçar pra entrar né?”
ou então
” uau, sua pizzas embaixo do braço aumentaram, estou preocupada com você, talvez esteja perdendo muita água, não acha não?”
só que QUEM saíria como grossa seria eu, e não quem veio me atazanar. porque falar da magreza alheia e como você está diferente – com um tom perceptível de piora – é educado?
Beleza é algo subejtivo entende. Estou bem como estou. E se magra você disser que eu estou, um defeito seu – partindo do MEU ponto de vista, ou criado por minha imaginação que é fértil como um pasto depois da chuva – eu irei apontar.
Porque não é educado. Não é gentil. Não é confotável.
ok ok,
desabafo do dia? confere.